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1950 - 2007 Professor José Augusto Dionísio Lucas "Entrevista à revista "Sumário" (CMO) em Maio de 2002"
Para o LucasEstás sentado à tua secretária, um pouco inclinado como quem acabou de chegar ou está prestes a levantar-se ou ainda como se esperasses que alguém entrasse no teu gabinete sempre aberto para nos acolher.
Estás no pátio da escola caminhas por entre os alunos olhas para cada um deles e sabes o seu nome e sabes melhor do que qualquer um de nós que os sonhos jovens e as loucuras jovens e as mágoas jovens são para escutar atentamente porque são os jovens que enchem de energia o nosso mundo e nos ajudam a colher o dia, a luz de cada dia. Talvez por isso tenhas permanecido sempre naquele lugar improvável e difícil da eterna juventude.
Estás numa festa da escola – em todas as festas da escola e o teu olhar ilumina-se de ternura paterna (ou será fraterna?) o teu olhar abraça-nos de alegria de viver.
Caminhas por entre os alunos e não sabes ainda que os teus passos hão-de ficar gravados aqui para sempre e que nos dias de luz mais inquieta os seguiremos para nos sentirmos menos sós.
Estás no canteiro em frente à porta é quase noite, já todos partiram e tu cortas a relva distraídamente como quem sacode o tapete depois da festa ou antes da nova festa que é como queres cada dia na tua casa-escola.
É cedo para sabermos da grandeza de tudo aquilo que aprendemos contigo e a saudade que vai crescendo enterrou já o que em ti por vezes nos exasperava: a tua insegura teimosia, a tua obstinada procura de consenso e sobretudo o teu sorriso de menino melancólico que sempre nos desarmou.
Se tu soubesses da metade da falta que nos fazes talvez não tivesses partido assim tão cedo e sem despedida. Ainda assim queremos dizer-te que cuidaremos de tudo aquilo que na pressa da partida deixaste connosco. Deixaremos abertas as portas do coração saberemos de cor a cor dos nomes de cada um escutaremos o mais pequeno rumor do território dos jovens afectos e não desistiremos da utopia de uma escola de todos e para todos.
E, podes crer, cortaremos a relva do teu canteiro.
Linda-a-Velha, 21 de Novembro de 2007
Tocaste cada um de nós de uma forma singular. Fizeste de nós uma comunidade com um sentimento de pertença e solidariedade que manteremos vivo em teu nome. Eternamente gratos Professores, Funcionários e Alunos da Escola Secundária de Linda-a-Velha
Falta que dói
A tua ausência é falta que dói; É silêncio oco que incomoda; É saudade que sufoca; É querer-te e não te ter. Maria Simões - Dezembro 2009 (clicar para ampliar)
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